Dia do Quadrinho Nacional: vamos comemorar?

30 de Janeiro de 2008 @ 08:02 - Bruno Alves
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Hoje, se comemora o Dia do Quadrinho Nacional. Há exatos 139 anos, Ângelo Agostini publicava o primeiro capítulo d’As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, no semanário O Cabrião, tornando-se assim um dos precursores da linguagem dos quadrinhos modernos no mundo.

Apesar de ter feito parte da evolução do quadrinho moderno, o quadrinho brasileiro, durante muito tempo, perdeu o bonde da história. Os motivos foram vários – a presença maciça do quadrinho norte-americano foi um deles, mas não foi o único e nem o principal.

Mas isso é história antiga. O quadrinho brasileiro perdeu muito tempo se lamentando, chorando o leite
derramado, amaldiçoando “as invasões estrangeiras” – ontem foram os comics, hoje são os mangás… e amanhã? Qual a desculpa?

A partir dos anos 1980, o lema foi “olhar pra frente”, produzir, arregaçar as mangas, mostrar o que sabíamos fazer. A produção que surgiu nesse período foi fruto de um processo evolutivo que teve como ponto forte a década anterior, com o surgimento e fortalecimento do quadrinho udi-grudi (underground).

Desde então, a produção brasileira só tem crescido – tanto em quantidade quanto em qualidade. E não importa se essa produção vem através de pequenas e médias editoras comerciais, ou de leis de incentivo à cultura ou ainda de edições independentes e fanzines. O que importa é que, finalmente, o autor brasileiro está mostrando que tem capacidade de colocar no mercado produtos que têm potencial para serem aceitos pelo público leitor.

Claro que ainda falta investir, muito, em divulgação e distribuição, para escoar essa produção; falta as grandes editoras apostarem no quadrinho brasileiro e diversificarem seus produtos (e parar de apostar no “certo”, publicando apenas comics e mangás).

E, principalmente, falta um projeto federal que dê aos quadrinhos um tratamento que outras linguagens artísticas têm, como o cinema. O projeto de lei de cotas do deputado Simplício Mário é um pontapé inicial, que ainda precisa ser lapidado.

O mais correto seria a criação de uma política de incentivo à produção (de àlbuns, revistas seriadas, revistas educativas, à aparelhagem de pequenas editoras), à formação de leitores, à criação de gibitecas em escolas e bibliotecas públicas. Tudo isso viria através de Editais, como os que são abertos para a já citada área do audiovisual.

Apesar dessas “faltas”, o quadrinista brasileiro hoje, 30 de janeiro de 2008, pode sim comemorar sua data com orgulho.

Parafraseando a música “Ôrra Meu”, de Rita Lee, “quadrinista brasileiro já não tem mais cara de bandido”.

Saudações a todos os quadrinistas, teóricos, admiradores, fanáticos em geral e a todos aqueles que contribuem para que o quadrinho brasileiro cresça e ocupe o seu merecido espaço.

Um brinde a todos!

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